Nota do editor: Se clicar no ícone “Image Gallery” no final desta página, vai ver a capital de Minas Gerais reconfigurada e transformada pelo artista plástico Fábio Carvalho. Como todo turista, ele cria sua própria cidade imaginária. “Não é mais a metrópole ofertada todos de forma impessoal e genérica, mas sim uma outra cidade, a minha Belo Horizonte,” diz o artista carioca. Nos ensaios a seguir, Carvalho explica seu trabalho. Estas obras formaram parte de uma exibição na galeria Léo Bahia Arte Contemporânea de Belo Horizonte em julho de 2003.
O Invisível na Fotografia
O Invisível na Fotografia é uma série de trabalhos realizada à partir de fotografias de um mesmo local, batidas de um mesmo ponto de vista, em intervalos de tempo variáveis (de alguns segundos até algumas horas). Nas cenas fotografadas, havia sempre objetos em movimento (pessoas, carros, barcos, etc.). Posteriormente, as fotos foram digitalizadas e superpostas.
Ao se realizar esta fusão, não se sabe mais qual objeto em deslocamento pertence a qual dos instantes superpostos, criando-se assim uma simultaneidade entre os dois tempos apresentados nas fotos.
Walter Benjamin comenta em "Pequena história da fotografia" que no instantâneo fotográfico há "o lugar imperceptível em que o futuro se aninha em minutos únicos, há muitos passados, tão eloqüentes que podemos descobri-lo olhando para trás".
Neste trabalho, este "futuro" que poderia ser descoberto já está lá, junto ao "passado".
Ao mesmo tempo, este "futuro" já é também passado, e portanto, possibilidade de um outro "futuro". Mas na verdade, nada disso pode ser discernido, pois não se sabe qual "objeto" corresponde a qual "tempo". Temos na verdade passado e futuro simultaneamente, num único instante novo, que nunca aconteceu.
A foto, tida como um recorte instantâneo do real, não se presta mais a este fim, não é mais um testemunho de um evento singular num tempo único. Há uma dinâmica cinemática nestas fotos, embora tudo continue fixo, preso à sua superfície.
Série Paisagem Assistida
Esta série de trabalhos é constituída de desenhos com caneta de retroprojetor sobre acrílico. Estes desenhos têm como referência cartões postais, posters e fotografias de páginas de jornal e livros, onde estão retratados pontos turísticos.
As imagens referência dos desenhos estão anexas por baixo da placa de acrílico. Este trabalho é um híbrido entre a fotografia e o desenho, uma combinação destes dois, constituindo uma nova imagem, que depende de ambos.
Como o desenho acontece sobre uma placa de acrílico, ao invés de diretamente sobre a imagem, ele "flutua" por sobre a imagem, como se fosse a "aura perdida" das imagens técnicas reprodutíveis, conforme observado por Walter Benjamin, no célebre ensaio "A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica".
Este trabalho, de uma forma nostálgica, devolve à imagem reproduzida aos milhares, cansada, gasta, que já circulou infinitamente, a possibilidade de integrar o mundo dos objetos auráticos, dos objetos únicos.
Website do Fábio Carvalho
Léo Bahia Arte Contemporânea
Av. Raja Gabaglia, 4875
Santa Lúcia
30360-670 Belo Horizonte, Minas Gerais
telefone/fax: +(55-31) 3286-2055
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