Mina rima é saborosa
Tal e qual caldo-de-cana
Bebo na fonte poética
Da Lira Camoniana
Sou o poeta das musas
Antônio Klévisson Viana.
Nasci em solo bravio
Neste sertão catingueiro
Berço de povo tão simples,
Humilde e hospitaleiroLá em Quixeramobim
De Antônio Conselheio
Ceará, Terra da Luz
Que o sol nasce p’ra brilhar
De Capistrano de Abreu,
Do bravo Dragão do Mar,
De Maciel e Araújo,
De Feitosa e Alencar.
Nascendo na mesma terra
De um grande timoneiro
Fui batizado de Antônio
(O nome do mensageiro
E profeta de Canudos:
Santo Antônio Conselheiro).
Domando a rima e o verso
Não remo contra a maré;
Para falar d’Os Sertões
No trabalho, ponho fé:
Escrevo junto ao poeta
Rouxinol do Rinaré.
O grande clássico Os Sertões
Precioso relicário
Obra prima de Euclides
‘Tá fazendo aniversário:
Completa em 2002
Seu primeiro Centenário.
Esta importante obra
Que Euclides publicou,
Narra a Guerra de Canudos;
Gereba, então, pesquisou
Produzindo seu CD
Que a PAULUS publicou.
O grande clássico Os Sertões
Nos revela os absurdos:
O clamor dos desvalidos
Na mente dos homens surdos,
Arrogantes, poderosos
Que massacraram Canudos.
No Estado do Ceará
Com tal singularidade,
Surgem padres e beatos
Pregando a Santa Verdade,
Dotados de grande espírito
De religiosidade.
No ano mil oitocentos
E vinte e oito, por fim,
Ouviu-se um hino sonoro
Na voz de um querubim:
Nasce Antônio Conselheiro
Lá em Quixeramobim.
Antônio Vicente Mendes
Maciel foi batizado;
Mas cresceu num ambiente
De conflito atormentado,
Numa Guerra de famílias:
Tinha-se a morte por fado.
Araújos, inimigos
Perseguidores, assim
Poderosos e covardes,
Gente do gênio ruim,
Turvavam de sangue a terra
Lá em Quixeramobim.
Antônio, religioso,
Tinha gusto em estudar:
Pensa então no Seminário,
Para um dia se ordenar;
Mas os estudos, tão caros,
Seu pai não pôde pagar.
E, numa vida marcada
Por grandes decepções,
Antônio passa a pregar
Por vila e povoações
Suas grandes profecias
E seus bonitos sermões.
Como o Padre Ibiapina,
Nosso Antônio Conselheiro
Percorreu todo o Nordeste;
Com fé em Deus verdadeiro,
Padre Cícero e Zé Lourenço
Seguem o mesmo roteiro.
Foi Antônio Conselheiro
Para o povo nordestino
Um pai bom e protetor,
De sentimento divino:
O oprimido lhe dava
As rédeas de seu destino.
Pregava contra os impostos
E os males republicanos;
Era simples no vestir,
Com modos bem puritanos
Perseguia a besta-fera
No encalço dos mundanos.
Fundou a sua Canudos
Como Deus-Pai lhe pedia;
De um pequeno vilarejo,
Logo se transformaria:
Segunda maior cidade
Do Estado da Bahia!
No cultivo das lavouras
Na mais perfeita união,
Conselheiro ali pregava
Penitência e oração;
E o desvalido da sorte
Acolhia como irmão.
Fim do Século Dezenove,
Lá nos rincões da Bahia
Uma nova experiência
Socialista surgia;
No charisma de um homem
Tudo se edificaria.
Tendo na fé messiânica
A sustentabilidade,
Conselheiro prometia
Amor, paz e igualdade;
Tudo ali era de todos
Na maior simplicidade.
De Conselheiro, encerramos
Nossas considerações
Para falar num repórter,
Que foi p’raqueles rincões:
Por nome Euclides da Cunha,
Autor do livro Os Sertões.
Era Euclides da Cunha
Militar de formação;
Serviu, depois pediu baixa,
Já no grau de capitão:
Como reporter-escritor
Se embrenhou pelo sertão.
D’O Estado de São Paulo
Foi como correspondente
E da Guerra de Canudos,
Fez relato comovente;
Escreveu sua versão
Do drama daquela gente.
O grande Euclides da Cunha
P’ra sempre será lembrado
Como escritor exemplar;
Nos deixou farto legado
Com sua obra Os Sertões:
Ficou imortalizado
Nos cem anos d’Os Sertões
Literato relicário
Gereba lança um CD;
Faz da música itinerário,
Gravando seu novo épico
(Um marco do Centenário!)
Gereba é de Monte Santo,
Lá do sertão da Bahia,
Estado de Castro Alves
Onde Conselheiro, um dia,
A cidade Belo-Monte
Com os romeiros construía.
Gereba é violonista,
Cantor e compositor,
Tem 30 anos de estrada;
Também prova seu valor
Em mais de quarenta discos
Como grande arranjador.
No universo musical,
Gereba desata o nó
Com espírito inovador:
Cria o grupo Bendegó
E no carnival baiano,
Criou o “Carnaforró”.
No sul da França e Madri,
Em turnê mostrou talento
Com nossa música raiz,
Brasileira cem-por-cento;
No ano noventa e um
Realizou grande evento.
E a nossa PAULUS Música
Mostra sensibilidade
No resgate d’um pedaço
De nossa brasilidade:
É a ‘Comunicação
A Serviço da Verdade.
“Canudos não se rendeu,
Mesmo triunfando a morte!”
(Disse Euclides da Cunha,
Lamentando a triste sorte,
Dizendo que “O sertanejo,
É, antes de tudo, um forte”).
Fim – Fortaleza, junho de 2002
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