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published on August 03, 2008

Recife: Veneza sem gôndolas


EMPETUR
Recife: Rios, Pontes e Overdrives
Recife, Pernambuco - Para um lugar normalmente vendido para os turistas apenas como cidade de sol e praia, os filhos pródigos de Recife preferem destacar a beleza (assim como os problemas) de seus rios e pontes.

“Rios, Pontes e Overdrives” é uma das principais canções do legado deixado pelo visionário do movimento manguebit, Chico Science (e sua banda, Nação Zumbi), que faleceu há mais de uma década. Lenine, outro recifense, dá novo sentido à poesia concreta em sua canção intitulada simplesmente “A Ponte”, composta em parceria com Lula Queiroga: A ponte não é de concreto; não é de ferro/ Não é de cimento/ A ponte é até onde vai o meu pensamento. O veterano grupo folclórico Quinteto Violado tem em seu repertório uma homenagem ao principal rio da cidade: Afoga os dias do calendário/ Naufraga os homens no salário/ Vai cheio entre mãos vazias/ O Rio Capibaribe.

De forma mais épica, João Cabral de Melo Neto narra a saga do pobre retirante sertanejo que navega pelas águas do Capibaribe em busca de uma vida melhor na cidade no clássico “Morte e Vida Severina”.

Veneza Tropical

A capital do estado de Pernambuco situa-se onde o rio Capibaribe se encontra com o Beberibe e juntos seguem em direção ao mar. A parte histórica da cidade, o bairro de Recife Antigo, é literalmente uma ilha em si, uma das três da região central. Ao total são 39 pontes pela cidade que rendeu o apelido de Veneza Brasileira.

No entanto, poucos visitantes se aventuram pelos rios de Recife. Certamente não há gôndolas. Os mais interessados na parte histórica preferem as ladeiras da vizinha cidade de Olinda. Na capital, os bons hotéis se concentram na região da praia da Boa Viagem, bem próxima do aeroporto e do principal shopping center, mas sem nenhum rio à vista.

Quando soube que Recife tinha passeios de barco semelhantes ao que fiz pelo Sena em Paris e o Tâmisa em Londres, não pensei duas vezes e resolvi descobrir mais sobre os ‘canais’ recifenses. Optei pelo passeio noturno e fiz de Recife minha própria ‘Cidade da Luz’ por uma noite.

Assim como outros passeios de Recife, o ponto de encontro do tour fica no Marco Zero da cidade. Ao longo da costa pode-se ver vários recifes que atuam como barreiras naturais, e próximo ao Marco Zero, sobre um deles, foi construído um reforço de concreto para proteger o antigo porto. Sobre ele fica o Parque das Esculturas onde se destaca uma imponente escultura fálica de 32 metros, a Coluna de Cristal do nativo Francisco Brennand. O mais interessante sobre a obra é a história de seu making-off, responsável por um dos mais apimentados escândalos políticos da cidade. O comitê responsável pela encomenda não poderia esperar algo muito diferente quando convidaram um artista internacionalmente conhecido por suas esculturas eróticas, mas assim que Brennand revelou sua obra, todos se chocaram e ninguém quis ser o estraga-prazeres. Um jornalista local insinuou que a encomenda tinha sido feita pela esposa do prefeito. A fim de defender a honra da primeira-dama, o prefeito invadiu a redação do jornal e ameaçou o repórter com um revólver apontado a sua cabeça. Logo a poeira abaixou e a prefeitura mudou de opinião. ‘O prefeito tem culhão, a cidade terá sua ereção’, ironizou Tobias Hecht em seu livro After Life: An Ethnographic Novel.

Após visitar a obra de Brennand, passamos calmamente pelo velho porto (a construção do novo porto, vários quilômetros mais ao sul, é apontada como a culpada por forçar a migração de tubarões em direção à praia da Boa Viagem, mas isso é outra história), mas hoje só se vê dois navios no cais. Um deles se prepara para uma longa viagem de mais de 500 quilômetros rumo à Fernando de Noronha no Oceano Atlântico, o santuário natural e principal destino eco-turístico do país. O barco leva suprimentos para a ilha e traz de volta todo o lixo produzido para o continente. O outro navio é uma embarcação soviética que foi abandonada décadas atrás por não pagar suas taxas.

Águas Furtas

Nosso pequeno catamarã segue a subir o rio em direção ao que hoje são as vielas de Recife. Muito da história do Brasil pode ser contada ao se percorrer o Capibaribe, em suas margens estiveram colonizadores holandeses que durante 24 anos ocuparam a região e foram os responsáveis pela construção da primeira ponte de grande porte do Brasil em 1644. Infelizmente, porém, saqueadores não são algo do passado, embora hoje em dia se interessem por coisas, digamos, menos nobres. A ponte Paulo Guerra, por exemplo, teve suas 17 luminárias importadas da Bélgica roubadas pouco antes de sua reinauguração em julho de 2006. Não que isso fosse novidade, algo em torno de R$250 mil em lâmpadas já havia sumido da ponte Maurício de Nassau, sem contar que na 6 de Março alguém conseguiu levar 1.200 metros de cabo da estrutura.

A seguir passamos pela Rua Aurora, assim chamada por estar voltada diretamente ao leste e receber os primeiros raios do amanhecer. De longe, alguns casarões coloniais impressionam e parecem ter sido recentemente restaurados, ou pelo menos acabaram de receber uma mão de tinta. A esta altura da noite a Aurora pertence a outros personagens, como o do livro de Hecht, que conta a história de um menino de rua que se torna um travesti e faz dessa rua seu reino.

A primeira parte do passeio está próxima de terminar, mas ainda tem muita história para contar. Mais à frente outra escultura bizarra se impõe, um pouco difícil de se decifrar à primeira vista, mas trata-se de um caranguejo. O gigante de metal é uma homenagem a Chico Science, que morreu perto dali em um acidente de automóvel. Próximo está uma escola de ensino público que educou uma santíssima trindade de escritores: Clarice Lispector, Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto.

Em breve será tempo de dar meia volta e retornar ao ponto inicial. Quem melhor que o próprio Cabral de Melo Neto para narrar a última parte da viagem?

Rio lento de várzea,
vou agora ainda mais lento,
que agora minhas águas
de tanta lama me pesam.
Vou agora tão lento,
porque é pesado o que carrego:
vou carregado de ilhas
recolhidas enquanto desço

Catamaran Tours

Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto

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